Decidindo tentar mais uma TEC: tem que ser dessa vez!
Logo após receber o resultado Negativo, no dia 21 de fevereiro, liguei para o meu marido para decidir o que iríamos fazer. Tentar novamente logo em seguida ou desistir por enquanto?
Com o meu marido em outro país tudo ficou mais difícil. Decidir tentar de novo seria também decidir ficar no Brasil longe do meu marido durante todo o tratamento e talvez até completar o terceiro mês de gravidez e eu poder fazer uma viagem longa de avião. Seria decidir passar por tudo sozinha, tendo o apoio virtual do meu marido, mas tendo que me virar e ir sozinha fazer a transferência, organizar as refeições, o repouso, administrar a ansiedade até o beta... Enfim, seria uma longa jornada, mas desistir agora não era uma opção. O que eram mais 2 ou 3 meses longe do marido, perto da chance de ter nosso filho nos braços? Imaginava meu marido brincando com nosso filho, a gente passeando no parque - nós três - e isso me dava uma força enorme. Eu sabia o quanto meu marido queria ser pai, mesmo que ele deixasse claro que era feliz também sem filhos. Eu nunca soube se ele falava isso para acalmar nossos corações, ou se realmente ele acha que seríamos completamente felizes sem filhos.
A verdade é que eu nunca tive muito jeito com crianças e essa coisa de ter filhos foi ficando sempre pra depois. Me formei e já engatei no mestrando e doutorado. Depois a meta era passar num concurso público e casar... depois aproveitar e viajar muito... depois juntar grana para construirmos nossa casa dos sonhos... E em meio à tantos planos a maternidade foi deixada de lado. Até o momento em que quase todas as minhas amigas ou já eram mães, ou estavam planejando a gravidez. Eu começava a sentir um vazio, como se faltasse algo para completar nossa felicidade. A vontade de ter um filho começava a nascer e crescer... saber que eu poderia fazer a diferença na vida de alguém aumentava minha vontade de ser mãe. Queria poder educar, contar as histórias que minha vó me contava, brincar, ensinar a ler, ensinar que o amor e a gratidão são as coisas mais importantes, e que ter não é ser... e que a felicidade está nas coisas simples.
Até então eu desenvolvia esse lado "mãe" com meus alunos e isso parecia bastar. Na verdade hoje percebo que transferia a frustração de ainda não ter sido mãe, e tentava ser mãe dos meu orientandos, participando da vida deles como uma conselheira e confidente. Eu vivia os problemas deles, como se eles fossem mesmo meus filhos. Muitas vezes eu não conseguia separar bem as coisas e na minha cabeça me tornei mesmo mãe de alguns. Mas quando percebi, depois de muita terapia, que esse comportamento não era saudável, e que na verdade eu deveria me concentrar na minha vida, a vontade de ser mãe, de ter MEU filho, cresceu ainda mais. Ver meu marido brincar com os sobrinhos ou com os filhos dos amigos me cortava o coração e a cada dia a vontade de ser mãe aumentava.
A questão é que realizar o sonho de ser mãe não está sendo tão simples quanto eu imaginava. Adiei essa decisão achando que seria fácil engravidar no momento certo (como se eu soubesse qual seria o momento certo). Achei que era sábia a decisão de investir na carreira e em viagens para depois ter filhos, mas hoje vejo que se pudesse voltar no tempo, teria tido filhos bem mais jovem. Infelizmente o tempo é implacável e trocaria tudo que eu conquistei para ter meu filho nos braços... e sei que teria conquistado tudo, mesmo com filhos. Talvez demorasse um pouco mais, mas hoje vejo que ao contrário do que eu imaginava antes, filho não impede nada, apesar de serem muitas vezes usados como desculpa para as frustrações dos pais.
E hoje, mais do nunca a sensação que eu tenho é que TEM QUE SER DESSA VEZ! Se eu engravidar nessa transferência viajarei grávida e terei meu filho junto com meu marido, feliz da vida. Se eu não engravidar, o sonho de ter um filho fica muito mais distante, pois começar todo o tratamento em um país diferente não deve ser fácil. Então, tem que ser!!!
Pensando assim, procurei o médico logo após ter o resultado negativo e já avisei que queria tentar uma nova transferência tão logo fosse possível. Eu ainda tinha embriões congelados, então seria apenas a estimulação do endométrio para a TEC. O médico me disse que eu já poderia tentar novamente no próximo ciclo e me pediu para avisar quando a menstruação viesse.
Dentro de uma semana eu fiquei menstruada e avisei ao médico. Ele marcou uma consulta no mesmo dia, na terça-feira de carnaval. Fui à consulta e conversamos bastante. Ele me explicou que após algumas tentativas de insucesso e eu já tendo tido um aborto, que era hora de começar a investigar possíveis causas das falhas. Me explicou sobre o cross-match e as vacinas de linfócitos paternos e também sobre o método ERA (endometrial receptivity array), um procedimento para avaliar a receptividade do endométrio. Chegamos a conclusão de que não valia a pena se submeter a nenhum desses, pois haviam muitas controvérsias no meio científico. Decidimos investigar apenas trombofilias e alguns fatores imunológicos que podem interferir na implantação dos embriões e serem a causa de falhas na implantação e abortos de repetição.
Bom, ele me passou uma lista extensa de exames e saí de lá com missão de conseguir fazer os exames em pleno carnaval. Estávamos correndo contra o tempo para que eu conseguisse o resultado dos exames antes de iniciar com a progesterona (Utrogestan). Assim, caso houvesse houvesse alguma alteração, haveria tempo hábil para tratar antes da transferência.
Saí de lá animada, pois por mais que eu não quisesse ter nenhum problema imunológico ou uma trombofilia, descobrir algo que eu pudesse fazer para aumentar as chances de sucesso do tratamento era animador.
Depois de muita espera para aprovação dos exames eu consegui realizar todos, alguns pelo plano e alguns particular - e caros, e estava ansiosa aguardando os resultados. A sensação era de ver uma luz no fim do túnel e comecei a me encher de fé e esperança outra vez!
Uma coisa que fez muita diferença pra mim foi começar a assistir vídeos de meditação no Youtube. Sempre quis meditar, mas achava que não fosse capaz. Vi que é muito mais simples do que imaginava e tem sido muito bom para manter a calma e a confiança em Deus. Comecei também a participar de um grupo de meditação presencial e foi muito bom para me reconectar com Deus e perceber que a buscar a Deus tem que fazer parte da nossa rotina... Deus está em nós! Praticar a bondade, caridade , ter pensamentos positivos e gratidão não pode acontecer somente em ocasiões especiais. Tem que ser todos os dias... do acordar ao dormir. Temos que praticar nossa fé. É difícil, mas temos que ser firmes e perseverar!
Bom, ele me passou uma lista extensa de exames e saí de lá com missão de conseguir fazer os exames em pleno carnaval. Estávamos correndo contra o tempo para que eu conseguisse o resultado dos exames antes de iniciar com a progesterona (Utrogestan). Assim, caso houvesse houvesse alguma alteração, haveria tempo hábil para tratar antes da transferência.
Saí de lá animada, pois por mais que eu não quisesse ter nenhum problema imunológico ou uma trombofilia, descobrir algo que eu pudesse fazer para aumentar as chances de sucesso do tratamento era animador.
Depois de muita espera para aprovação dos exames eu consegui realizar todos, alguns pelo plano e alguns particular - e caros, e estava ansiosa aguardando os resultados. A sensação era de ver uma luz no fim do túnel e comecei a me encher de fé e esperança outra vez!
Uma coisa que fez muita diferença pra mim foi começar a assistir vídeos de meditação no Youtube. Sempre quis meditar, mas achava que não fosse capaz. Vi que é muito mais simples do que imaginava e tem sido muito bom para manter a calma e a confiança em Deus. Comecei também a participar de um grupo de meditação presencial e foi muito bom para me reconectar com Deus e perceber que a buscar a Deus tem que fazer parte da nossa rotina... Deus está em nós! Praticar a bondade, caridade , ter pensamentos positivos e gratidão não pode acontecer somente em ocasiões especiais. Tem que ser todos os dias... do acordar ao dormir. Temos que praticar nossa fé. É difícil, mas temos que ser firmes e perseverar!

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